Fesurv constata problemas no mel comercializado 10/04/2007
A faculdade de Zootecnia da Universidade de Rio Verde constatou que o mel comercializado em Rio Verde apresenta baixa qualidade . A avaliação se baseou em pesquisa efetuada nos meses de junho a agosto de 2006 em dez amostras obtidas no mercado local. A conclusão mostra que apenas 30% das amostras analisadas estão aptas à comercialização e conseqüentemente ao consumo, sendo que 90% das condenações referem-se a práticas inadequadas de manuseio e conservação do produto.
Segundo a pesquisa, a principal causa do comprometimento da qualidade do produto é consequência da falta de informação por parte do apicultor rio-verdense, já que oito das dez amostras avaliadas foram produzidas no município. "Nosso objetivo é que os resultados obtidos possam servir de parâmetro para que os produtores adotem metodologias adequadas e que reflitam na melhoria da qualidade do mel produzido por eles", destaca a professora Lucilia A, Silva, uma das autoras do trabalho, que contou ainda com a participação das professoras Débora Machado e Cristhiane Campos e também dos acadêmicos Hugo e Elaine.
Foram analisadas através da pesquisa umidade, acidez livre e cinzas, além de realizadas as análises qualitativas: reação de Lugol, reação de Lund e reação de Fiehe, ficando as análises quantitativas: açúcares redutores, sacarose aparente e hidroximetilfurfural (HMF) restritas àquelas condenadas nos testes qualitativos. Para todas as análises empregou-se os métodos referenciados pelo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel e os valores dos parâmetros físico-químicos individualmente encontrados, foram comparados aos padrões preconizados pela instrução normativa nº 11 de 20/10/2000 do Ministério da Agricultura e Abastecimento.
Confira o resultado completo da pesquisa:
As dez amostras analisadas foram obtidas no mercado local, das quais duas eram inspecionadas, seis em embalagens apropriadas e rotuladas e duas em embalagens reaproveitadas e sem identificação. Uma amostra se encontrava cristalizada, e as demais líquidas, sendo cinco com aspecto viscoso translúcido e quatro com aspecto viscoso denso. Quanto à cor seis foram caracterizadas como âmbar claro, três como âmbar e uma como branco. Nove amostras apresentaram-se com cheiro próprio e sabor doce, apenas uma com cheiro e sabor de fumaça e com substâncias estranhas.
Na reação de Lugol todas as amostras foram aprovadas, ou seja, sem presença de amido e dextrinas. A prova de Fiehe condenou duas amostras, sendo uma delas também a única reprovada na reação de Lund e portanto submetidas à análise de açúcares redutores, sacarose e hidroximetilfurfural, onde comprovou-se a adulteração com adição de glicose comercial em uma amostra e superaquecimento na outra.
Quatro amostras apresentaram umidade de 20,3 a 21,0%, o baixo percentual acima do padrão (20%), sugere má vedação da tampa. Os altos valores de acidez de 75,23 a 148,09meq/kg, em relação ao padrão de 50meq/kg no máximo, encontrados em cinco amostras podem ser explicados pela filtragem e decantação inadequada no momento da obtenção e exposição à luz durante o armazenamento. O valor acima de 0,6g cinzas/100g encontrados em duas amostras desclassificaram-nas como mel floral, ficando as mesmas caracterizadas como mel de melato. (Reportagem: Zeni Silva)
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